quarta-feira, 23 de julho de 2008

Concentração de Faro 2008

Bem, nem sei como começar é um misto de sensações e de imagens mentais que se sobrepõem que se torna difícil encetar o inicio de uma estória . Talvez comece pela decisão de ir a Faro , seria a primeira vez tanto para mim como para a Minie a minha pendura , parecia que um poder maior se levantava que tudo fazia para que não fossemos , era o dinheiro , era os bilhetes , era a indecisão se iríamos na sexta se no sábado , enfim mil e uma coisa , no final resolvermos abalar na sexta ao final da tarde .
Burra carregada (mais ou menos 550kg com a gente em cima) eu e a Maria arranjados e toca de nos fazermos à estrada , não sem antes a burra nos avisar que não estava bem , pois custou a pegar , mas enfim , lá pegou e fizemos uma estirada em ritmo certo até Castro Verde , resolvemos abastecer ali em vez de Ourique pois temíamos a enchente de motards e as bombas estarem cheias , abastecemos e enquanto estávamos a abastecer passa o meu mano , meia volta no carro e toca de nos vir cumprimentar , depois de dois dedos de conversa alá que se faz tarde e ai seguimos nós a caminho de Ourique aonde desde à 50min a Serrinha e o Marco secavam à nossa espera, chegamos , uns dedos de conversa e toca de seguir viagem e prontos está o baile armado , a Dama não quer trabalhar , toca de empurrar para cima e para baixo e quando já estávamos quase a desistir a moça resolve-se a fazer a ultima estirada. Começamos então a fazer o troço entre Ourique e Faro , antes ainda houve uma paragem para o Marco e a Serrinha abastecerem , uma paragem aonde a Dama não foi desligada , siga para bingo , vamos nas curvas do IC1 e fico sem conta quilómetros , ligo as luzes auxiliares de médios e volta o conta quilómetros a funcionar , nesta altura começo a temer e a ver que alguma coisa não está deveras bem , quando entramos na via do infante e quando se começa a utilizar o pisca com mais intensidade , reparo que as luzes fazem elas mesma pisca , mau temos que chegar rápido que isto tá a ficar perigoso , tenho quase a certeza que se fosse um plástico que dependesse mais da electrónica de certeza que não tinha conseguido chegar a Faro , como cheguei com a Dama , a minha menina deixou-me à porta da concentração e como a um cavalo que pedem um ultimo esforço levou-me até lá e morreu , não mais se mexeu ...nessa altura ainda tinha esperança de a vir a rolar nela para cima , mas pronto isso não se chegou a verificar , vale a assistência em viagem , até ao presente dia só tenho a dizer bem deles , estou à espera da minha Dama amanhã , mas bem voltando à estória.
Chego a Faro faço a inscrição deixo ali a Dama logo à entrada , levo a cangalhada toda e toca de montar a tenda , e enquanto tive(mos) a Serrinha também tava a montar a dela e havia alguma pergunta se eu tinha algo (uma lanterna , fita isoladora ... ) a resposta invariávelmente era :
-Está na mota .
Bem como tristeza não pagam dividas toca de ir para a desbunda , agarramos nos morfes que tínhamos levado e vamos "jantar" antes ainda houve tempo para encontrar o tolopes e uns dedos de conversa com o Tó da Black Label (obrigado pela loira) a ver se conseguíamos resolver o problema da Dama , não deu , bem fomos aos morfes e a uns dedos de conversa , anedotas , conversa , os primeiros golos na agua do Hulk e quando dou por mim tava pessoal a dizer que se queria ir deitar , eu achei estranho estarem a querer deitarem-se tão cedo (1/2 noite pensava eu ) afinal eram já 4:30h lol bem lá fomos para os camalhos , dormir ?? um pouco eram 6:30h tava a pé , uma ida há casa de banho um belo de um banho e toca de ir ver se dava para amanhar a burra . Foi uma tourada para encontrar a oficina , uns diziam que era dentro da concentração outros que era logo à entrada , bem por fim lá a encontrei , porra !!! só abre às 9:00 toca de fazer tempo e de beber umas loiras e uns dedos de conversa com uns espanhóis que tinham a burra furada nas bombas ao pé da rotunda , quisera eu que o problema da minha fosse só um pneu furado .
9:00h abre a oficina e com uma maquina daquelas de dar encosto a Dama volta de novo à vida , não se aguenta só com o alternador , peço para carregar a bateria , só estará pronta às 14:00 h ok então vou há tenda e toca de ir acordar o pessoal , uma volta pela concentração e telefona o Helder , tava à entrada , lá segue o clã para a entrada , levamos os morfes , ou seja chegando há entrada saltam umas loiras , com os morfes e faz-se mais um bocado da manhã , entretanto aprece o Oliveira e o Carlos , aquele que no aniversario dos xaparros se amandou ao chão , ficamos logo ali convidados para uma bejeca no bar da Big Red Machine , ok buemos a bejeca andemos pela feira motard e fazem-se horas de almoço , depois de algumas peripécias , ficou assim , eu e a Minie e o Tolopes e a Rosa fomos morfar um caldo verde e uma sardinhada na concentração , o resto do pessoal ficou cá por fora .
Foi um bom bocado bem passado , muita conversa , muita sardinha , um alemão que cai na conversa e prova a agua do Hulk depois disso já não andava tão rigidamente lololol
fui ver da burra , mesmo com a bateria carregada não trabalha, ou seja reboque com ela ... depois disso toca de ir jantar e encontramos (acordamos) o Tolopes impomo-nos ao grupo dele , há mais um ou dois que caiem na conversa e provam a Água , entretanto chega o meu mano e ainda consigo chegar à fala com o Cardan que ia à cata de não sei quem ou seja ia mais apressado que o coelho branco da Alice. Chega o meu mano com o grupo dele , Jaime e esposa , a Rita , e a Sandra e o Gastão , mais uns dedos de conversa e tivemos que ir há tenda , há volta passo pelo bike show e encontro o OldS'cool mais uns dedos de conversa com ele e mais um pessoal que tava por ali (não me lembro do nome dos gajos) e convenço o Old provar a Agua e um estranja que também estava por ali , o Old disse que tava bom , o estranja , começou a patinar... bem toca de ir ter com o pessoal , pelo meio encontrei o Velez e o Zé (malta do meu serviço) ainda encontrei (atropelei) o pessoal do forum das thundercats , encontrei o Ramalhete e ainda nos juntamos ao Satan numa ceia às 2:30 composta por frango à guia , conclusão bem pouco vi dos concertos , mas para mim teve 5* pois o convivio com as pessoas é mais importante que tudo o resto .
Deitei-me às 4:30h(tava a começar a ser normal) e levantei-me ás 8:30h para entregar a bandeira dos motoxaparros ao meu mano para ele a levar no desfile , o resto dia , foi ver o desfile tratar das coisa com a companhia de seguros e vir para casa ... o que me ficou pena ? não ter entrado na concentração montado na minha Dama e não ter ido ao desfile nela . O que me agradou ? tudo , mas principalmente os amigos , a troca de experiencias passadas , as pessoas.

para o ano quero lá ir outra vez , mas que desta vez consiga aproveitar as coisas todas , ou seja que a minha Dama não morra na praia , aqui ficam as fotos que a vontade e o tempo para as tirar não era muita , tava mais interessado em viver as experiencias.

piquem nas imagens para as verem maiores

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Alentejo , O Alentejano

Queria ser eu a escrever isto ,
infelizmente a tanto
não me chega o engenho,
fica-me no peito entanto
o sentimento de ser d' Alentejo
e Alentejano tentar ser ...


O ALENTEJO

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.

O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.

Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.

Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.

Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.

Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado.. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.

D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»

Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.

E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.

Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula, porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.

Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. Se Hitler e Estaline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que foram.

E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.

Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano.. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?»

Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!

É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?